O Leitor
A história do filme diz respeito a um advogado de meia-idade, Michael Berg (Ralph Fiennes), que através de flashbacks lembra de uma paixão carnal que teve aos 15 anos com uma mulher mais velha, Hanna Schmitz (Kate Winslet). Sempre depois da escola, Michael, interpretado na juventude pelo novato David Kross, ia para casa de Hanna e dividia com ela toda a literatura que os professores lhe passavam. Assim, Michael era realmente “o leitor”, e contava histórias como A Odisséia sempre em voz alta. Um desejo sexual também surge e neste ponto é Hanna quem ensina tudo o que sabe ao garoto, inevitável que caíssem em uma paixão secreta, que ninguém próximo a Michael poderia saber. No entanto, de uma hora para a outra Hanna desaparece, deixando para trás um garoto com o coração partido e muitas perguntas. Anos depois, já na faculdade de direito, Michael participa de um julgamento referente a crimes cometidos em campos de concentração nazistas. Eis que Hanna aparece como uma das acusadas, assim, o passado volta com tudo e promete grandes emoções para o futuro de Michael.
Na minha opinião, filmes feitos pra ganhar Oscar são terrivelmente chatos. São peças de cinema feitas sob encomenda, com limitações em todas as áreas, seja nas atuações ou até mesmo na direção. Claro que existem algumas poucas exceções, que estão se tornando cada vez mais raras. É como se um cara fosse responsável por ficar com o regulamento da Academia na mão durante toda a produção da obra, dizendo o que pode e o que não pode ser feito.
Uma figura que se especializou em fazer isso foi Harvey Weinstein, todo poderoso do cinema independente americano, que fez esse tipo de filme se tornar, de alguma forma, rentável. Este cara é co-fundador da Miramax, empresa que lançou no mercado filmes como Pulp Fiction, Trainspotting, Chicago e a bomba Shakespeare Apaixonado. Largamente criticado por seu lado “cartola de estúdio”, alguns dizem que a grande façanha de Kate Winslet e Stephen Daldry em O Leitor foi aturar Harvey durante a produção do filme. Depois da venda da Miramax para a Disney, em 2005, Harvey pariu a Weinstein Co., estúdio que banca este novo filme.
Apesar de tudo isso pesando contra o filme, Stephen Daldry é um bom diretor. Aliás, é o único a ser indicado para o Oscar de melhor diretor em todos os longas que dirigiu e ainda, fez isso três vezes seguidas. Primeiro com Billy Elliot, em 2000, depois com As Horas, em 2002 e agora com este O Leitor, drama de guerra inspirado no romance de Bernhard Schlink. No entanto, o peso do regulamento trava tudo. O filme passa de uma história quente e interessante, ousada e nova para algo completamente monótono e frio no final. Alguns dos melhores trechos da história são do romance entre os dois quando Michael ainda é jovem. Por alguns momentos, parecia, realmente, que as amarras que prendiam o filme a possíveis estatuetas douradas estariam desaparecendo. Mas, apenas impressão. O resultado acaba sendo mediano, abaixo do que Daldry poderia render, como fez no fantástico As Horas, por exemplo.
Quando da divulgação dos candidatos à melhor filme pela academia, a crítica generalizada chiou ao ver O Leitor entre os nomes. Para a maioria o filme vem tirar o lugar de Foi Apenas Um Sonho, de Sam Mendes, de Gran Torino, de Clint Eastwood, ou até mesmo de O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan. Particularmente, acho difícil que o filme do Batman fosse indicado, basicamente porque temos um vencedor da área da fantasia alguns anos atrás com O Retorno do Rei. Muitos dizem que as indicações de O Leitor fazem parte do efeito Harvey Weisntein, afinal, Oscar é política e popularidade aliada ao regulamento, e isso poderia dar uma idéia da força deste cara em Hollywood.
Mas, no final das contas, O Leitor continua prestando homenagem às artes, como sempre acontece nos filmes de Daldry. Aqui, a literatura pode até ser definida como um canal de ligação entre duas pessoas, ou como o laço que une dois corações completamente diferentes em estado de paixão. No entanto, o verdadeiro assunto do filme é como as novas gerações lidam com os crimes de suas gerações passadas e como isso influencia definitivamente o destino de todos. Só por esse tipo de questionamento estar na tela, já é suficiente até aqui. Ah, e Kate Winslet entrega uma atuação gigantesca. Veja, mas apenas uma vez.
O Leitor (The Reader, EUA, Alemanha, 2008)
Direção: Stephen Daldry
Roteiro: David Hare
Elenco: Kate Winslet, Ralph Fiennes, David Kross
Duração: 124 min.
www.thereader-movie.com
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Publicado em 13/02/2009, em Cinema e marcado como 2008, a odisséia, best picture, campos de concentração, david hare, david kross, drama de guerra, film, filme, hanna schmitz, harvey weinstein, holocausto, julgamento, kate winslet, leitura, livros, love affair, melhor filme, michael berg, miramax, movies, o leitor, Oscar, ralph fiennes, readings, relacionamento, relationship, segunda guerra mundial, sex, sexo, stephen daldry, the reader, Trailer, weinstein co., wwII. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.
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